A Fórmula 1 brasileira ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira. A Haas anunciou que Rafael Câmara será piloto titular da equipe em 2027, ocupando a vaga hoje pertencente a Esteban Ocon e formando dupla com Oliver Bearman. A confirmação coroa a trajetória do pernambucano nas categorias de acesso e marca o retorno do Brasil a um patamar que não via há quase uma década.
Da Academia Ferrari ao grid principal
Câmara é fruto da Academia de Pilotos da Ferrari e construiu em pouco tempo um currículo que justifica a aposta da Haas. Campeão da Fórmula 3 em 2025 logo na temporada de estreia na categoria, o brasileiro subiu para a F2 em 2026 e assumiu a liderança do campeonato após a etapa do Azerbaijão. Ainda restam as corridas do Catar e de Abu Dhabi para definir o desfecho da disputa, mas o desempenho já foi suficiente para convencer a equipe americana a lhe garantir um assento na F1 a partir de 2027.
Ele será o 34º brasileiro a disputar uma corrida de Fórmula 1, segundo levantamento do GRANDE PRÊMIO. Mais do que um número, a chegada de Câmara representa a renovação de uma presença que, por anos, ficou restrita a testes e papéis coadjuvantes fora do grid principal.
Brasil volta a ter dois titulares
A notícia tem impacto direto no automobilismo nacional. Com Câmara na Haas e Gabriel Bortoleto já consolidado na Audi, o Brasil voltará a contar com dois pilotos titulares simultaneamente no grid pela primeira vez desde 2016, quando Felipe Massa corria pela Williams e Felipe Nasr defendia a Sauber. É um sinal de que a base formadora do país voltou a produzir talentos capazes de competir no topo da categoria.
Verstappen e a virada da Red Bull
Enquanto o Brasil comemora, o paddock também discute a reação da Red Bull na segunda metade da temporada 2026. Max Verstappen admitiu que pilotar o RB22 no início do ano chegou a ser uma experiência assustadora, mas reconheceu uma evolução considerável do carro após o pacote de atualizações trazido para a etapa do Azerbaijão. As vitórias do neerlandês no GP do Bahrein, disputado na Malásia, e em Singapura, em traçados bem diferentes entre si, reforçam que a equipe ampliou a janela de competitividade do monoposto.
Ainda assim, o tetracampeão foi cauteloso: disse que a Red Bull não está no nível que deseja e que, com poucas chances matemáticas de título, o foco das últimas etapas é somar aprendizado, buscar pódios e, quando possível, vitórias - além de levar os dados coletados para o projeto do carro de 2027.
Mercedes testa atualização em Austin
A Mercedes, por sua vez, quer resolver um problema recorrente: a instabilidade do W17 fora de uma janela de operação estreita. A equipe espera colocar a mesma especificação atualizada nos carros de Andrea Kimi Antonelli e George Russell no GP dos Estados Unidos, entre 23 e 25 de outubro. Em Singapura, a escuderia dividiu os setups propositalmente - Antonelli correu com as novidades e Russell com a versão anterior - para entender melhor os efeitos do pacote introduzido na etapa do Bahrein, na Malásia.
Segundo o vice-chefe da equipe, Bradley Lord, o W17 pode ser rápido quando o equilíbrio é encontrado, mas essa margem ainda é pequena. A Mercedes monitora de perto a evolução da Red Bull, vencedora das duas últimas corridas, sem, no entanto, alterar seu próprio cronograma de desenvolvimento.
Audi: Bortoleto e Hülkenberg seguem equilibrados
Um levantamento do GRANDE PRÊMIO após 17 etapas mostra que a disputa interna na Audi segue acirrada. Bortoleto lidera o confronto direto no quesito classificação por 9 a 8, mas Nico Hülkenberg tem vantagem igual, também por 9 a 8, nos resultados de corrida. Na pontuação, o alemão aparece à frente, com 13 contra 10 do brasileiro - diferença explicada em parte pelo oitavo lugar de Hülkenberg em Singapura, etapa em que Bortoleto abandonou na oitava volta por suspeita de problema na caixa de câmbio.
A análise de ritmo reforça o equilíbrio: em 16 stints comparados sob condições semelhantes, cada piloto foi mais rápido em oito ocasiões. Os números não permitem apontar superioridade de nenhum dos dois, já que fatores como abandonos e incidentes pontuais seguem pesando nos resultados finais.
O que vem pela frente
Depois da pausa pós-Singapura, a Fórmula 1 retoma a temporada no GP dos Estados Unidos, no Circuito das Américas, em Austin, entre 23 e 25 de outubro. Será a 18ª etapa do calendário e o início de uma sequência de três corridas em fins de semana consecutivos, antes dos GPs da Cidade do México e de São Paulo. Austin deve indicar se a Mercedes conseguirá extrair mais do W17 atualizado e se a Red Bull mantém o ritmo das duas últimas vitórias - pano de fundo para uma reta final de temporada que também prepara o terreno para a chegada de Rafael Câmara ao grid em 2027.